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Imagem por Derren, feita em 2003.
Fonte: http://derrenbrown.co.uk/blog/2008/12/harold-pinter-rip/
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"Não precisamos ser um quarto mal assombrado –
Nem precisamos ser uma casa.
O cérebro tem seus corredores – que vão além do material.
Muito mais seguro, é encontrar à meia-noite
Um fantasma esterno,
Do que confrontar sua contrapartida interior
– o anfitrião gelado.
Muito mais seguro, é galopar pela igreja
perseguido pelas pedras,
do que encontrar, desarmado, nosso próprio rosto
em um lugar ermo.
Nós mesmos, escondidos atrás de nosso rosto
- é o que mais aterroriza.
Um assassino escondido em nosso apartamento,
é um horror menor.
O corpo pede um revolver emprestado –
e tranca a porta,
que dá para um espectro superior
- ou mais."
Emily Dickinson
Já é senso comum entre a crítica literária e os estudiosos da obra de Harold Pinter, a classificação de algumas de suas peças como “Teatro da Ameaça”. Nestas pecas, os personagens encontram-se protegidos em quartos, apavorados diante da possibilidade ou da iminência da invasão por parte de algo ou de alguém advindo do mundo exterior, que “ameaçaria” suas vidas, organizadas a partir de normas e convenções estritas.
Poderíamos utilizar, num primeiro momento, a mesma classificação para O MONTAGARGAS, para logo depois percebermos que a ameaça, aqui, não vem de fora, mas habita o mesmo cômodo em que se encontram os personagens.
Em O MONTACARGAS, esse cômodo (o porão onde estão Ben e Gus, do início ao fim da peça) é esporadicamente “visitado” e nos remete ao porão escuro do inconsciente, cujo acesso é cada vez mais raro ao homem contemporâneo – a não ser nos sonhos cujos, conteúdos são rapidamente esquecidos, quando não ignorados. E é de modo inconsciente que introjetamos - ao longo dos séculos em que se deu a construção do mundo civilizado – a constante recusa a tudo que é frágil, tolo e ingênuo.
Cabe-nos, aqui, propor o seguinte questionamento: A quem essa fragilidade, tolice e ingenuidade ameaçam?

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