quinta-feira, 25 de novembro de 2010

NA CIA DOS DOS HOMENS FAZ LEITURA DE MAURICE MAETERLINCK



Na Cia dos Homens realiza leitura dramática do texto INTERIOR  de  MAURICE MAETERLINCK na Oficina Casa da Palavra Mario de Andrade. O enredo é a história de um ancião e um estrangeiro que observam, de longe, através de três janelas, uma família que vive a tranquilidade doméstica de mais um anoitecer, sem a menor suspeita ou pressentimento de que sua filha mais velha se afogou num rio (talvez acidentalmente, talvez não) quando se dirigia a casa de sua avó.
Quando o ancião, amigo da família, está prestes a dar-lhes a notícia, ele hesita, pois deparar-se com o quadro de felicidade diante de seus olhos – uma tarefa que adiará até o último instante, quando finalmente uma multidão, composta pela população da cidade, se aproxima trazendo o corpo da jovem.

ELENCO: César Maier, Monaliza Marchi, Sulivam Sena
Direção: César Maier


Na Cia. Dos Homens - Flyer
Maurice Maeterlinck
Nascido na cidade de Gand, Bélgica, em 1862,Maeterlink é Considerado um renovador do teatro, tendo seu nome associado à dramaturgos como Ibsen, Strindberg e Tchekov. Em 1911 recebeu o Prêmio Nobel de Literatura.
Sua obra - um dos marcos do movimento simbolista – apesar de traduzida por grandes nomes da literatura brasileira como Monteiro Lobato, Cecília Meireles e Carlos Drumontde Andrade, continua praticamente inédita nos palcos brasileiros.

Considerados, na época em que foram escritos,antiteatrais, por romperem com a exigência da imitação do real e com a convenção da ilusão teatral e da verossimilhança - defendidas pelos naturalistas - seus textos colocam em cena personagens à mercê de forças superiores e incompreensíveis (representação do ser humano perante o enigma do seu destino), cujos discursos fragmentados e desarticulados manifestam sua dificuldade em expressar sentimentos mais profundos que elas mesmas desconhecem.

Sua teoria teatral contida principalmente nos escritos Un Théâtre d’Androide e LeTragiqueQuotidien, bem como sua obra, é precursora, em vários aspectos, do pensamento e da obra de autores e/ou encenadores contemporâneos como Gordon Craig, Henrich vonKleist, Alfred Jarry,Antonin Artaud, Ionesco e Samuel Beckett.

Obra teatral:
La Princesse Maleine (A Princesa Malena -1889),L'Intruse (A Intrusa -1890), Les Aveugles (Os Cegos-1890), Les Sept princesses (As Sete Princesas -1891), Pelléas et Mélisande (Peleás eMelisanda -1892) , Alladine et Palomides (Aladino ePalomides - 1894), Intérieur (Interior -1894), LaMort de Tintagiles (A Morte de Titangiles -1894),Aglavaine et Sélysette (1896),MonnaVanna (1902), L’Oiseau bleu (O Pássaro Azul- 1908).


Fotos

Leitura dramática de INTERIOR
Oficina Casa da Palavra Mario de Andrade abre as portas para Na Cia. dos Homens
 

terça-feira, 7 de setembro de 2010

UM RAIO DE ESPERANÇA

Victor Hugo Rascón Banda - Sede Geral da UNESCO, Paris, França, 27 de março de 2006


Todo dia deve ser dia mundial do teatro, porque nestes 20 séculos, a chama do teatro ficou sempre acesa em algum lugar da terra.

A morte do teatro foi anunciada sempre, principalmente com o aparecimento do cinema, da televisão e agora dos meios digitais.

A tecnologia invadiu os palcos esmagando a dimensão humana, tentou-se então um teatro plástico próximo à pintura em movimento, que acabou banindo a palavra. Surgiram peças sem palavras, sem iluminação e sem atores, apenas com manequins e bonecos em instalações pródigas em jogos de luz.

A tecnologia tentou transformar o teatro em fogo-fátuo, em espetáculo de feira.


Teatro - Imagens Google
Assistimos hoje ao retorno do ator em face ao espetáculo. Hoje nos deparamos com a volta da palavra ao palco.

O teatro abriu mão da comunicação midiática assumindo seus próprios limites que nascem da presença de 2 seres frente a frente comunicando sentimentos, emoções, sonhos e esperanças. A arte teatral está deixando de contar histórias para debater ideias.

O teatro abala, ilumina, incomoda, perturba, exalta, revela, provoca, transgride. É um diálogo compartilhado com a sociedade. O teatro é a primeira das artes a se defrontar com o nada, com as sombras e o silêncio, fazendo brotar a palavra, o movimento, a luz e a vida

O teatro é um acontecimento vivo que se consome a si mesmo enquanto é produzido, mas sempre renasce das cinzas. É uma forma de comunicação mágica que permite a cada pessoa dar e receber algo que as transforma.

O teatro expressa a angústia existencial do homem e restitui a condição humana. Não são os criadores que falam através do teatro, é a sociedade e seu tempo.

O teatro tem inimigos bem definidos: a educação artística ausente na infância, que não permite descobri-lo e apreciá-lo, a miséria que invade o mundo, afastando os espectadores das plateias e o desprezo e a indiferença dos governos que deveriam promovê-lo.

No teatro os deuses dialogavam com os homens, agora os homens dialogam entre si. Por isso o teatro tem que ser melhor e maior que a própria vida. O teatro é um ato de fé no valor da palavra sensata num mundo insano. Um ato de fé no ser humano responsável pelo seu destino.

Temos que viver o teatro para compreender o que está acontecendo conosco, para expressar a dor que paira no ar, e também para vislumbrar o raio de esperança no meio do caos e do pesadelo cotidiano.

Vivam os celebrantes do teatro! Viva o teatro!

(Tradução Hugo Villavicenzio)



O Dia Mundial do Teatro, criado em 1961 pelo Instituto Nacional do Teatro, é celebrado no dia 27 de março pelas unidades do Insttiuto e por toda a comunidade internacional. E para comemorar a data, todo ano, a UNESCO convida uma personalidade de prestígio mundial da área artística para escrever a mensagem a ser lida no mundo inteiro.

World Theatre Day ITI/UNESCO