Gisele Inácio e Marcos Medeiros no TEATRO PRA ALGUÉM.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
"TEATRO DA AMEAÇA"
![]() |
Imagem por Derren, feita em 2003.
Fonte: http://derrenbrown.co.uk/blog/2008/12/harold-pinter-rip/
|
"Não precisamos ser um quarto mal assombrado –
Nem precisamos ser uma casa.
O cérebro tem seus corredores – que vão além do material.
Muito mais seguro, é encontrar à meia-noite
Um fantasma esterno,
Do que confrontar sua contrapartida interior
– o anfitrião gelado.
Muito mais seguro, é galopar pela igreja
perseguido pelas pedras,
do que encontrar, desarmado, nosso próprio rosto
em um lugar ermo.
Nós mesmos, escondidos atrás de nosso rosto
- é o que mais aterroriza.
Um assassino escondido em nosso apartamento,
é um horror menor.
O corpo pede um revolver emprestado –
e tranca a porta,
que dá para um espectro superior
- ou mais."
Emily Dickinson
Já é senso comum entre a crítica literária e os estudiosos da obra de Harold Pinter, a classificação de algumas de suas peças como “Teatro da Ameaça”. Nestas pecas, os personagens encontram-se protegidos em quartos, apavorados diante da possibilidade ou da iminência da invasão por parte de algo ou de alguém advindo do mundo exterior, que “ameaçaria” suas vidas, organizadas a partir de normas e convenções estritas.
Poderíamos utilizar, num primeiro momento, a mesma classificação para O MONTAGARGAS, para logo depois percebermos que a ameaça, aqui, não vem de fora, mas habita o mesmo cômodo em que se encontram os personagens.
Em O MONTACARGAS, esse cômodo (o porão onde estão Ben e Gus, do início ao fim da peça) é esporadicamente “visitado” e nos remete ao porão escuro do inconsciente, cujo acesso é cada vez mais raro ao homem contemporâneo – a não ser nos sonhos cujos, conteúdos são rapidamente esquecidos, quando não ignorados. E é de modo inconsciente que introjetamos - ao longo dos séculos em que se deu a construção do mundo civilizado – a constante recusa a tudo que é frágil, tolo e ingênuo.
Cabe-nos, aqui, propor o seguinte questionamento: A quem essa fragilidade, tolice e ingenuidade ameaçam?
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terça-feira, 4 de agosto de 2009
"O MONTACARGAS" - FOTOS DE DENISE MOREIRA
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BRÁULIO FERRAZ E CÉSAR MAIER NO PROGRAMA NO PROGRAMA EM CARTAZ - 1ª PARTE
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BRÁULIO FERRAZ E CÉSAR MAIER NO PROGRAMA NO PROGRAMA EM CARTAZ - 2ª PARTE
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BRÁULIO FERRAZ E CÉSAR MAIER NO PROGRAMA NO PROGRAMA EM CARTAZ - 3ª PARTE
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domingo, 2 de agosto de 2009
"O MONTACARGAS"
A peça O MONTACARGAS é o
terceiro texto escrito pelo dramaturgo Harold Pinter, premiado com o Nobel de
Literatura em 2005, em 1956. O autor inglês, dentro de suas obras, prefere
descartar os personagens e criar arquétipos com os quais o público se identifique.
A militância política é presente em sua obra, mas não do modo panfletagem, esse
viés é apenas sugerido em seus textos. Os temas de seus espetáculos não
costumam ser definidos, não há uma imposição sobre o significado da obra e sim
uma abertura para o debate e reflexão. Seu texto mais conhecido no Brasil é
“Volta ao lar” que chegou a ser encenado, em 1967, por Fernanda Montenegro.
O enredo de O MONTACARGAS
apresenta dois homens dentro de um porão à espera de uma terceira pessoa. Eles
são Ben e Gus. Enquanto esperam, conversam sobre futebol e comentam as notícias
dos jornais. O diálogo entre dois revela a forma como se inter-relacionam,
prevalecem o simbolismo e a ambiguidade dentro do texto. Nada é explicitado e
sim sugerido. Uma espécie de exercício de observação e reflexão sobre as
relações humanas e do próprio ser diante do desconhecido.
Na Cia. Dos Homens realiza a
encenação de “O Montacargas” em julho de 2009. Foi um dos primeiros trabalhos
do grupo, que tem a forte influência das obras do cineasta francês Robert
Bresson. A companhia exalta o minimalismo e o poder da consciência do texto, a
fim de provocar a reflexão, abandonar os clichês das interpretações e propor
novas formas de caracterização e simbolismo, prevalece a economia de palavras e
expressões, além de existir a rejeição do inconsciente coletivo sobre como se
deve compor ou supostamente agir um personagem.
Harold Pinter morreu em na
véspera de natal, no dia 24 de dezembro de 2008. O artista conviveu com um
câncer de esôfago durante seis anos. O artista nasceu em Londres em 1930. Aos
vinte anos, já publicava poemas em diversos periódicos. Sua formação em arte
dramática foi pela Royal Academy of Art e na Central School of Speech and
Drama. Devido ao seu vasto trabalho, durante cinquenta anos, no âmbito da
dramaturgia teatral o artista, em 2005, foi premiado com o Prêmio Nobel de
Literatura.
O Montacargas, de Harold Pinter
Obra traduzida por Bráulio Ferraz
Dirigida por César Maier
Elenco Bráulio Ferraz e César
Maier
Bráulio Ferraz: Ator. Formado
pela Teatro-Escola Macunaíma. Estudou
no Royal Welsh College of Music and Drama - Cardiff, Reino Unido e no Mark
Keppel High School - Monterey Park-California-USA. Atuou em diversos espetáculos, alguns
deles; Os Possessos, direção de Antonio Abujamra; Insones 3x4, direção de Ed
Anderson Mascarenhas; Happy End e Surabaya, Johnny, direção Marco Antonio
Rodrigues; Ópera dos 500, direção de Naum Alves de Souza; Oração para um pé de
chinelo, direção de Dizoneth.
César Maier: Ator, diretor e dramaturgo. Iniciou
seus estudos em teatro em 1988 no curso Interpretação a Partir do Trabalho com
Máscaras e Maquiagem, com os atores George Bigot e Maurice Durozier do Theatre
du Soleil. Realizou trabalhos com Rubens Correia, Aderbal Freire Filho e
Antunes Filho, dentre outros. Alguns espetáculos em que atuou são; O Defunto,
de Renê de Obaldia; Conversação Sinfonieta, de Jean Tardieu; O Claro Abelardo,
de Antonin Artaud (este também sob sua direção).
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